Se você deseja desenvolver o conhecimento e a prática no atendimento a pessoas com gagueira, pode fazer isso no CEFAC junto ao atendimento voluntário coordenado por Silvia Friedman, desde 2000

Duração
Mínimo de um ano para obter certificado

Horário
Segundas-feiras das 8h às 12h

Atividade
8h – 10h – observação do atendimento feito por Silvia Friedman a um grupo de adultos com gagueira
10h – 11h – atendimento a um grupo de crianças
11h – 12h – supervisão e estudos

Requisitos
Ser fonoaudiólogo com pelo menos 3 anos de formação e de prática clínico-terapêutica comprovada

Interessados
Entrar em contato com Silvia Friedman para uma entrevista, pelo e-mail silfriedman@yahoo.com.br

Ih! Nosso filho está gaguejando


Silvia Friedman

Quantas vezes esta frase é repetida na vida de muitas famílias desde tempos muito antigos. Mas, afinal, o que significa estar gaguejando? Porque as crianças gaguejam, às vezes, já com dois anos de idade? Este é o objetivo deste artigo, ou seja, esclarecer aos pais o que é gaguejar. É perigoso? É contagioso? É hereditário? O que fazer diante da gagueira? Foi depois que ele levou um susto, explicam alguns pais.Dá um susto nele que isso passa, aconselham outros. Qual a verdade contida nisso tudo? Para entender o comportamento de gaguejar precisamos falar um pouquinho de EMOÇÃO.   

Vocês já repararam que quando mostramos nossas emoções, nossos músculos se mexem. Os músculos do rosto se colocam numa posição quando sentimos alegria, noutra quando sentimos tristeza, e noutra ainda para braveza e assim por diante. Além disso, quando sentimos emoções, a respiração também muda, fica lenta, rápida, apertada, conforme a emoção. Muda também a batida cardíaca, suamos, trememos, enfim, várias mudanças no corpo acompanham as emoções. Vamos agora analisar um pouquinho a fala. Para falar, é preciso usar o ar dos nossos pulmões, pondo-o para fora. Fale um pouco e sinta se é verdade. Para falar é preciso também mexer vários músculos: os dos lábios, língua, céu da boca e pescoço. Agora a conclusão fica fácil. Se as emoções influem no movimento dos nossos músculos, na nossa forma de respirar e se a fala depende de movimentos de músculos e da respiração, é claro que conforme a emoção que sentimos, nossa fala pode se alterar.   

Quando a emoção vem, uns falam rápido, suam, tremem, outros não falam, ficam com um nó na garganta, o coração batendo forte e outros falam de modo entrecortado, repetido, gaguejado. É isso aí, gaguejar é natural. Quanto mais sensível é a pessoa, mais ela pode se emocionar com as coisas e maior é a possibilidade dela gaguejar. Gaguejar é uma possibilidade e pode acontecer a qualquer um, dependendo do que sentimos numa determinada situação. Vejam como na TV aparecem pessoas gaguejando ao serem entrevistadas, por exemplo. Então, a criança, só por ser criança, por estar aprendendo as coisas do mundo, sente muitas emoções, alegria forte por ter aprendido alguma coisa; ansiedade, excitação para contar coisas que fez; tristeza por não entender certas coisas que os adultos parecem entender, etc. Ao falar em momentos que está sentindo essas emoções ela gagueja, naturalmente, às vezes gagueja bastante, é natural. E qual é a primeira coisa que os outros dizem à criança ou a qualquer um que gagueja? ‘ Calma, Fala devagar.” Não é isso? Então, na verdade, qualquer um percebe que a gagueira é uma reação emocional, que a pessoa que gagueja está nervosa.   

Mas, se a gente manda a criança ter calma e falar devagar, acontece um pequeno probleminha. A criança entende que não falou bem, mas não sabe o que deve fazer para falar melhor, pois afinal, o que ela sabe sobre mecanismo da fala? E, afinal, o que adianta recomendar calma quando a gente está nervoso? Em geral, dá mais nervoso ainda. Se a criança for sensível e levar bem a sério o negócio de falar com calma e devagar, o que vai acontecer? Os movimentos musculares que compõem a fala são espontâneos. Para obedecer a ordem de falar com calma, a criança vai influenciar o movimento espontâneo, vai querer controlar o movimento e aí é que a fala fica gaga mesmo. A criança, então, fica nervosa porque percebe que não consegue cumprir a ordem e faz mais força ainda para controlar sua fala. Com o nervosismo e a força, a fala fica cada vez mais gaga. A criança acaba ficando com medo de falar e sempre tentando controlar os músculos para falar bem. O medo que é uma emoção, somada à tentativa de controlar os músculos, que não deveria estar acontecendo, porque a boa fala tem movimento muscular espontâneo, produz gagueira e mais gagueira. Já mataram a charada, né? Chamar a atenção para a gagueira, queres impedir a criança de gaguejar é agir contra a própria natureza e só provoca o aumento da gagueira. Se você quiser testar, reaja negativamente: se o seu filho gaguejar, chame sua atenção, mande-o parar, mande-o se acalmar, reprima, enfim, a sua fala. As conseqüências depois dessa nossa conversa você já pode imaginar. Gaguejar não é feio, nem proibido. Gaguejar é natural, bom, saudável.   

Deixe a criança expressar sua emoção e gaguejar. Afinal, gaguejar é um comportamento que dura tão poucos segundos. Escute o que a criança fala e faça-a sentir-se feliz com o seu falar. Se numa frase algumas palavras saem gaguejadas, na outra isso logo desaparece. O que importa é que a criança fale, comunique, viva.